Terex começa a ocupar a Área Industrial de Guaíba
Guaíba, 24 de Junho de 2011.
Depois de destravar a emissão de licenças ambientais, o novo teste para a implantação dos empreendimentos já confirmados na zona industrial de Guaíba será aprontar a infraestrutura. De novo, o tempo e a execução dependem do governo estadual. O governador Tarso Genro lançará na segunda-feira, na área guaibense, o pacote e cronograma de obras, cujo custeio deverá sair dos financiamentos buscados com o Banco Mundial (Bird) e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Bndes). Nesta sexta-feira, a fabricante de máquinas para construção de estradas Terex Corporation, a primeira a receber a licença de instalação (LI), começa a preparação do terreno e projeta dar início à montagem de produtos no primeiro trimestre de 2012.
Por 60 dias, serão retiradas as árvores para preparação do terreno. Esta etapa será feita em Parceria Público-Privada (PPP) com a prefeitura, já firmada. Mas o diretor do projeto pela companhia americana, que tem em Cachoeirinha a única unidade no País, Alessandro Bruzzo, condiciona a operação à conclusão de itens ligados à implantação do emissário da água tratada pelas empresas e que será descartada no Guaíba e ao reforço da rede de energia. "Sem isso não conseguimos a licença de operação (LO). Depende de rapidez. Factível é, mas tem de trabalhar". Bruzzo recorda que os 11 meses para ter a LI instauraram desconfiança nos acionistas, já dissipada. Para não atrasar ainda mais a produção, a empresa começará com um segmento de montagem final. A demanda para obras da Copa do Mundo está na mira da Terex, que investirá R$ 36,8 milhões no primeiro ano e até R$ 150 milhões em cinco anos. Linhas que não ainda não são produzidas no País comporão o mix da planta.
A insegurança da Terex e dos demais investidores foi gerada pelo impasse em torno do licenciamento da área como distrito industrial. Em 1999, o local foi descartado pela Ford para receber uma fábrica de automóveis após a negociação frustrada com o ex-governador petista Olívio Dutra. Com a estreia do novo governo, o tema virou questão de honra para afugentar o fantasma da montadora. A viabilidade de seis projetos, herdados da ex-governadora Yeda Crusius e com investimento de R$ 860 milhões, foi garantida com um decreto de Tarso criando a zona industrial, sepultando o conceito de distrito, que exigiria estudo de impacto ambiental, com mais gastos e prazos muito longos.
Governo cria comissão para monitorar projetos
O secretário-executivo do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do Rio Grande do Sul (CDES-RS), Marcelo Danéris, que desatou parte do nó de Guaíba, disse que as obras de infraestutura marcam a segunda fase do processo, que ganhará uma comisão especial de monitoramento com membros das pastas da Fazenda, Desenvovimento, Saneamento e Meio Ambiente. O grupo também buscará mais candidatos a ocupar a área. "O ritmo de obras será prioridade. As empresas terão o que precisam para funcionar", compromete-se. A cifra a ser aplicada na infraestrutura, que inclui a duplicação da Estrada do Conde, será superior a R$ 20 milhões, que chegou a ser cogitada, projeta Danéris. Tarso deve anunciar um cronograma oficial de execução. Como os recursos do Bird ou Bndes ainda têm data para sair, o custeio deve ser feito nos primeiros meses pelo orçamento estadual. "Vai ter dinheiro. Guaíba é prioridade", justifica.
As LIs da Vipal/Fate, do ramo de pneus, e International PET, de rações, serão liberadas pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) nas próximas semanas. Só faltam as cartas do Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan). Pedram Zaman, diretor de marketing da International PET, preocupa-se com a liberação do Iphan, ante dificuldades para agendar um encontro e obter as condições do órgão. Danéris assegura que a solução sairá em dez dias. "Eles exigem apenas que qualquer material arqueológicos seja conservado, mesmo caso da Funai", detalha. Os demais empreendedores CG Global (transformadores e disjuntores), Andrita Supply (química), Gaya Florestal e LGTech (elevadores) dependem da conclusão do processo de LP. Já a Renobrax (aerogeradores) e o Walmart (que analisa um centro de distribuição na área) não deflagraram o licenciamento. O deputado estadual José Sperotto (PTB), que promoveu audiência pública na quarta-feira sobre o tema, reforçou que a melhoria no acesso viário precisa estar pronta no prazo das empresas.
Bruzzo condiciona a operação à conclusão de alguns itens
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