Guaíba- nós criamos a nossa província
Guaíba, 16 de Abril de 2008.
Nesta primeira oportunidade em que podemos fazer esse contato
através desse espaço, gostaria de explicar aos visitantes do Porta
Centro-sul a forma que utilizaremos esta coluna, como sou professor de
História no Colégio Cônego Scherer , Curso Objetivo e Grupo para o
Vestibular abordarei temas relacionados a história, tendo
principalmente como foco o vestibular, sendo assim um instrumento a
disposição dos alunos em geral, portanto, o Portal não é só festa!!!
Além disso sempre farei algum comentário em relação aos principais
acontecimentos na área cultural de nossa cidade e região.
O texto desta semana versará sobre a I Guerra Mundial,
seus antecedentes, desenvolvimento e conseqüências , é importante
percebermos que em se tratando dos vestibulares os alunos devem ter uma
clareza muito grande a respeito da estrutura que gerou a guerra e sua
implicação na estruturação de um novo cenário político, econômico e
social na década de 20 e posterior Crise de 1929.
Introdução
A Primeira Guerra Mundial foi uma guerra ocorrida devido pretensões
imperialistas entre 1914 até 1918, com conflitos principalmente em
regiões européias.
Antecedentes
Nas últimas décadas do século XX, o mundo assistiu à explosão de uma
Guerra Civil na Iugoslávia que resultou no desmantelamento desse país e
no surgimento da Eslovênia, Croácia e Bósnia-Herzegovina, como nações
independentes.
O conflito entre sérvios, croatas e bósnios irrompeu em função das
diversas étnicas, religiosas e políticas existentes entre eles.
As pretensões imperialistas ganharam profundos contornos a partir de
1870, pois, nessa época, a Europa Ocidental e também os Estados Unidos
expandiram sua política econômica e organizaram poderosos impérios,
devido à concentração de capitais procedentes do monopólio e da fusão
das empresas. As indústrias pesadas exigiram a união das empresas, a
fim de garantirem maiores lucros e bons preços. Por esse motivo,
tornou-se acirrada a disputa de mercadoria e de fontes de
matérias-primas.
Desde o Congresso de Viena, em 1815, a preocupação dos principais
paises europeus passou a ser a busca da estabilidade internacional.
Para isso, as nações buscaram o prestígio nacional e o fortalecimento
militar, mantendo constante vigilância para impedir o crescimento das
forças contrárias e a formação de alianças entre países afins. Esta
inquietação ocorria mediante o "equilíbrio de poder".
Durante a metade do século XIX, as nações imperialistas dominaram povos
e territórios em diversas partes do mundo. Assim, em poucas décadas,
acumularam riquezas e aumentaram muito sua capacidade de produzir
mercadorias. Da disputa por mercados consumidores entre essas nações
nasceu a rivalidade. E desta, a Primeira Guerra Mundial. Além da
disputa por mercados, existiram também outras razões para a eclosão da
guerra. Abaixo, as mais importantes:
A rivalidade anglo-alemã: A origem dessa rivalidade entre a Inglaterra
e a Alemanha foi a competição industrial e comercial. Em apenas três
décadas, a contar de sua unificação, a Alemanha tornou-se uma grande
potência industrial. Os produtos de suas fábricas tornaram-se
mundialmente conhecidos, inclusive com enorme aceitação no mercado
inglês. Fortalecida, a Alemanha passou a pressionar para que houvesse
uma nova repartição do mundo colonial. A Inglaterra, por sua, vez,
mostrava disposição em manter suas conquistas a qualquer custo.
A rivalidade franco-alemã: Na França, o antigermanismo também era muito
forte, devido à derrota francesa na Guerra Franco-Prussiana e à perda
da Alsácia e da Lorena para a Alemanha.
A rivalidade austro-russa: A Rússia desejava dominar o Império
Turco-Otamano, a fim de obter uma saída para o mar Mediterrâneo, e,
também, controlar a península Balcânica. Para justificar esse
expansionismo, criou o pan-eslavismo movimente político segundo o qual
a Rússia tinha o "direito" de defender e proteger as pequenas nações
eslavas da península Balcânica.
O nacionalismo da Sérvia: A Sérvia era uma pequena nação eslava
independente, situada na região dos Bálcãs, que almejava libertar e
unificar os territórios habitados pelos povos eslavos desta região.
Opondo-se aos austríacos e aos turcos, a Sérvia aproximou-se cada vez
mais da Rússia, que comprometeu-se a apoiá-la e a protegê-la
militarmente. Quando, em 1908, a Áustria ocupou a Bósnia-Herzegovina, a
Sérvia passou a conspirar abertamente contra a Áustria.
Formação das Alianças - 1ª Guerra Mundial
Ciente de que a França, partiria para a revanche contra o seu país,
o chanceler alemão Bismarck decidiu isolá-la. Inicialmente, a Alemanha
aliou-se ao Império Austro-Húngaro, com o qual tinha estreitos laços
culturais. Posteriormente, cortejou e conseguiu aliar-se à Itália. A
França, por sua vez, reagiu ao isolamento em que se encontravam fazendo
um acordo militar secreto com a Rússia, país que temia o avanço alemão
para o leste. Depois, foi a vez da Inglaterra -- assustada com o
crescente poderio alemão -- assinar um acordo com a França e outro com
a Rússia.
Assim em 1907, a Europa já se encontrava dividida em dois blocos
político-militares: a Tríplice Aliança, com a Alemanha, Itália e
Áustria-Hungria, e a Tríplice Entente, com a Inglaterra, França e
Rússia.
Enquanto se organizavam em blocos rivais, as principais potências
européias lançaram-se numa desenfreada corrida armamentista: adotaram o
serviço militar obrigatório, criaram novas armas e passaram a produzir
armamento e munição em quantidades cada vez maiores. Era a paz armada.
Faltava um incidente para a guerra começar. O incidente ocorreu num
domingo, 28 de julho de 1914, em Sarajevo, capital da Bósnia. Nesse
dia, o herdeiro do trono austríaco, Francisco Ferdinando, e suas
esposas foram assassinados a tiros por um estuda da Bósnia. Em 28 de
julho de 1914, a Áustria declarou guerra a Sérvia, dando início à
Primeira Guerra Mundial.
Fases da 1ª Guerra Mundial
Primeira Fase: (1914). Esse período caracterizou-se por movimentos
rápidos envolvendo grandes exércitos. Certo de que venceria a guerra em
pouco tempo, o exército alemão invadiu a Bélgica, e , depois de
suplantá-la, penetrou no território francês até as proximidades de
Paris. Os franceses contra-atacaram e, na Primeira Batalha do Marne, em
setembro de 1914, conseguiram deter o avanço alemão.
Segunda Fase: (1915-1916) Na frente ocidental, essa fase foi marcada
pela guerra de trincheiras: os exércitos defendiam suas posições
utilizando-se de uma extensa rede de trincheiras que eles próprios
cavavam. Enquanto isso, na frente oriental, o exército alemão impunha
sucessivas derrotas ao mal-treinado e muito mal-armado exército russo.
Apesar disso, entretanto, não teve fôlego para conquistar a Rússia. Em
1915, a Itália, que até então se mantivera neutra, traiu a aliança que
fizera com a Alemanha e entrou na guerra ao lado da Tríplice Entente.
Ao mesmo tempo que foi se alastrando, o conflito tornou-se cada vez
mais trágico. Novas armas, como o canhão de tiro rápido, o gás
venenoso, o lança-chamas, o avião e o submarino, faziam um número
crescente de vítimas.
Terceira fase: (1917-1918). Em 1917, primeiro ano dessa nova fase,
ocorreram dois fatos decisivos para o desfecho da guerra: a entrada dos
Estados Unidos no conflito e a saída da Rússia. Os Estados Unidos
entraram na guerra ao lado da Inglaterra e da França. Esse apoio tem
uma explicação simples: os americanos tinham feitos grandes
investimentos nesses países e queriam assegurar o seu retorno. Outras
nações também se envolveram na guerra. Turquia e Bulgária juntaram-se à
Tríplice Aliança, enquanto Japão, Portugal, Romênia, Grécia, Brasil,
Canadá e Argentina colocaram-se ao lado da Entente. A saída da Rússia
da guerra está relacionada
à revolução socialista ocorrida em seu território no final de 1917.
O novo governo alegou que a guerra era imperialista e que o seu país
tinha muitos problemas internos para resolver. A Alemanha, então, jogou
sua última cartada, avançando sobre a França antes da chegado dos
norte-americanos à Europa. Entretanto, os alemães foram novamente
detidos na Segunda Batalha do Marne e forçados a recuar. A partir desse
recuo, os países da Entente foram impondo sucessivas derrotas aos seus
inimigos. A Alemanha ainda resistia quando foi sacudida por uma
rebelião interna, que forçou o imperador Guilherme II a abdicar em 9 de
novembro de 1918. Assumindo o poder imediatamente, o novo governo
alemão substituiu a Monarquia pela República. Dois dias depois
rendeu-se, assinando um documento que declarava a guerra terminada.
Tratado de Versalhes
O tratado de Versalhes estabelecia que a Alemanha era obrigada a:
- restituir a Alsácia e a Lorena à França;
- ceder as minas de carvão do Sarre à França por um prazo de 15 anos;
- ceder suas colônias, submarinos e navios mercantes à Inglaterra, França e Bélgica;
-pagar aos vencedores, a título de indenização, a fabulosa quantia de 33 bilhões de dólares
- reduzir seu poderio bélico, ficando proibida de possuir força aérea,
de fabricar armas e de ter um exército superior a 100 mil homens.
Consequências da Primeira Guerra Mundial
Considerando-se humilhados pelo Tratado de Versalhes, os alemães
passara a nutrir um ódio sobretudo a França, e os países que o
derrotaram. A primeira guerra trouxe outras conseqüências como:
- declínio da Europa, que foi duramente atingida pelo conflito
- ascensão dos Estados Unidos, que a partir de então tornaram-se uma das grandes potências;
- intensificação dos problemas que contribuíram para a implantação do socialismo na Rússia;
- aparecimento de regimes políticos autoritários, como o nazismo e fascismo.
Fonte: www.brasilescola.com