Capitalismo Monopolista, Imperialismo e Neocolonialismo
Guaíba, 16 de Abril de 2008.
Olá! Aqui vai um texto mostrando os principais aspectos do Imperialismo ou
Neocolonialismo, estrutura extremamente importante para compreendermos
as estruturas do século XX e um dos desencadeadores da I Guerra
Mundial cuja falarei no próximo Post.
De
1760 a 1830, a Revolução Industrial ficou limitada à Inglaterra, a
oficina do mundo. Para manter a exclusividade, era proibido exportar
maquinário e tecnologia. Mas a produção de equipamentos industriais
superaria logo as possibilidades de consumo interno e não seria
possível conter os interesses dos fabricantes. Além disso, as nações
passaram a identificar o poderio de um país com seu desenvolvimento
industrial. E o processo se difundiu pela Europa, Ásia e América.
A
tecnologia industrial avançou, a população cresceu, os movimentos
imigratórios se intensificaram. No fim do século XIX, sobreveio a
primeira Grande Depressão (1873 - 1896), que fortaleceu as empresas
pela centralização e concentração do capital. Iniciou-se aí nova fase
do capitalismo, a fase monopolista ou financeira, que se desdobrou na
exportação de capitais e no processo de colonização da África e da Ásia.
A Revolução Industrial se irradia
Em
ritmo vertiginoso, como na Alemanha, ou retardado por razões políticas,
como na França, o impacto da Revolução Industrial inglesa atingiu todas
as partes do mundo.
Bélgica
- Primeiro país da Europa a industrializar-se no século XIX. Dois
ingleses criaram uma fábrica de tecidos em Liège já em 1807. Foi rápido
o desenvolvimento, facilitado pela existência de carvão e ferro, pelo
investimento de capitais ingleses e pela proximidade do mercado europeu.
Alemanha
- Em ritmo acelerado a partir de 1870, a industrialização alemã se
beneficiou da unificação nacional, da decidida proteção estatal, da
atuação do capital bancário e do crescimento demográfico. A
peculiaridade aqui está no casamento entre indústria e bancos, bem como
no uso de técnicas que permitiram alto grau de racionalização.
A
Alemanha já era grande produtora de carvão desde 1848. A siderurgia
avançou, estimulada pelo desenvolvimento ferroviário. Na década de
1880, a indústria têxtil ameaçava superar a inglesa, devido à adoção de
fibras sintéticas e novos corantes; destaque-se aqui a expansão da
indústria química, ligada à pesquisa científica. No fim do século,
graças a Werner Siemens, a indústria elétrica tomou grande impulso. Em
1914, a Alemanha iria produzir 35 % da energia elétrica mundial,
seguida por Estados Unidos (29%) e Inglaterra (16 %) .
França
- A Revolução Francesa retardou o desenvolvimento econômico do país. A
consolidação da pequena indústria e a tradição de produzir artigos de
luxo dificultaram a grande concentração industrial. É difícil falar em
Revolução Industrial francesa. Não houve arranque acelerado, mas lenta
transformação das técnicas de produção e das estruturas industriais.
O
processo se acelera a partir de 1848, com a adoção de medidas
protecionistas, ou seja, impediu-se a importação de produtos
industriais e estimulou-se a exportação. Assim mesmo; havia entraves ao
avanço: houve retração demográfica no século XIX, com baixo índice de
natalidade e lenta regressão na mortalidade; a estrutura agrária
preservava a pequena propriedade, o que limitava o progresso
tecnológico; faltava carvão e seu preço era o mais alto do mundo; os
recursos iam para empréstimos públicos e investimentos no estrangeiro,
em vez de ir para o setor produtivo.
A
expansão industrial foi freada ainda pela prática do autofinanciamento,
ou seja, a, o reinvestimento dos lucros na própria empresa, que
preservava seu caráter familiar, limitado.
Itália
- A unificação política e aduaneira impulsionou a industrialização, que
arrancou no decênio de 1880-1890. O Estado reservou a produção de ferro
e aço para a indústria nacional, favorecendo a criação da siderurgia
moderna. A falta de carvão, ao elevar os custos, reduzia a
competitividade no exterior. Protegida pelo Estado, a siderurgia se
concentrava no norte e sua produção não era suficiente para o mercado
interno, o que exigia importações. A indústria mecânica cresceu mais
depressa, especialmente as de construção naval e ferroviária, máquinas
têxteis e ligadas à eletrificação (motores, turbinas). A partir de
1905, a indústria automobilística de Turim conseguiu excelentes
resultados.
Também
protegida, a indústria têxtil era a única com capacidade de conquistar
mercados externos. A falta de carvão estimulou a produção de energia
elétrica. O problema mais grave estava na total concentração do
processo de crescimento no norte, enquanto o sul permanecia agrário e
atrasado.
Império Austro-Húngaro
- Sua característica era a enorme mistura de povos e minorias
nacionais. O desenvolvimento industrial se acelerou mais na
ex-Tchecoslováquia (atuais Eslováquia e República Tcheca), sobretudo
nos setores têxtil, de extração de carvão e siderurgia. Destacou-se a
Skoda, famosa produtora de armas, material ferroviário, máquinas
agrícolas, etc.
Suécia
- Deu-se aqui um caso típico de rápido desenvolvimento ligado a pesados
investimentos estrangeiros, principalmente alemães; o mecanismo se
explica pelas relações entre grandes bancos suecos e alemães. Mais
tarde, viriam os bancos franceses. A Suécia chegou a ter a dívida
externa mais alta do mundo.
Na
década de 1870, teve início a construção ferroviária. A partir dos anos
de 1890, os alemães se voltaram para as minas de ferro, fundições e
forjas. O aço de alta qualidade era exportado. Os franceses investiram
mais em energia elétrica. Também tiveram importância a indústria
madeireira e a química, como a de explosivos, controlada pelo grupo
Nobel.
Rússia
- A arrancada do último país da Europa a industrializar-se se deu entre
1890 e 1900, com taxa de crescimento industrial de 8% ao ano, jamais
igualada pelo Ocidente. Motivos: participação do Estado, investimentos
externos e presença de técnicos estrangeiros. A abolição da servidão em
1861 não mudou muito a estrutura agrária, baseada no mir, comunidade
agrícola de culturas coletivas. A produtividade não cresceu, nem o
poder aquisitivo dos agricultores; e não houve êxodo rural que
fornecesse mão-de-obra excedente às indústrias.
O
Estado exerceu papel importante. A compressão do consumo dos camponeses
gerou excedentes de produtos agrícolas exportáveis, cujos rendimentos
eram transformados em investimentos. Em 1913, metade do capital
investido era estrangeira, com maior participação da França,
Inglaterra, Alemanha, Bélgica e Estados Unidos. As indústrias de
mineração tinham 91% de capital estrangeiro; as químicas, 50%; as
metalúrgicas, 42%; a madeireira, 37%; e a têxtil, 28%.
Formaram-se
gigantescos conglomerados, como o Cartel Prodameta, que controlava
trinta siderúrgicas e metalúrgicas, com capital francês. Explorava-se
carvão da rica bacia do Donetz. A produção de máquinas era ainda
reduzida. A descoberta de petróleo no Cáucaso deu origem a grande
exploração, dominada pelos Rothschild de Paris. Controlada por ingleses
e alemães, a indústria têxtil respondia por um terço da produção russa.
Estados Unidos
- Primeiro país a industrializar-se fora da Europa, a partir de 1843,
em resultado da conquista do oeste e dos enormes recursos daí advindos;
alguns autores preferem como marco a Segunda Revolução Americana, a
Guerra de Secessão entre 1860 e 1865, momento em que a classe
capitalista do norte aumentou sua fortuna financiando o governo
federal, fornecendo provisões aos exércitos e desenvolvendo a indústria
ligada às necessidades do conflito. O resultado foi a consolidação do
capitalismo industrial, representado politicamente pelos republicanos.
Não foi por acaso que, enquanto a abolição da escravatura destruía a
economia sulista, o protecionismo alfandegário, a legislação bancária,
a construção de estradas de ferro e a legislação trabalhista garantiam
a supremacia do norte e de sua economia industrial.
Depois
da guerra, o país tinha território unificado, rede de transportes em
expansão, população crescente, poucas diferenças sociais. Isso permitia
a produção para o consumo de massa, o que facilitava a racionalização
da economia. O país dependia de seu próprio mercado, pois exportava
apenas 10% do que produzia a Inglaterra, por exemplo, exportava 52%.
Daí o caráter fortemente protecionista da industrialização americana. O
dinamismo do país atraiu capitais europeus, que se voltaram para
setores estratégicos, como ferrovias. A descoberta de ouro na
Califórnia acelerou ainda mais á economia,
Em
1890, algodão, trigo, carne e petróleo contribuíam com 75 % dá
exportação. O beneficiamento de produtos agrícolas foi a primeira
grande indústria; ás siderúrgicas e indústrias mecânicas superaram o
setor agrícola apenas no início do século XX. Sua característica era a
formação de enormes empresas, que produziam ferro, carvão, produtos
siderúrgicos e ferroviários.
Em
1913, os americanos assumiriam á liderança na produção de ferro,
carvão, aço, cobre, chumbo, zinco e alumínio. A indústria mecânica
avançou, sobretudo á automobilística, com métodos racionais
desenvolvidos pela Ford. A indústria têxtil deslocou-se para o sul. A
elétrica, estimulada pelas investigações científicas que resultaram na
fundação da Edison Electric Company, criaram filiais em vários países,
como Itália e Alemanha.
Japão
- Na Ásia, foi o país que mais depressa implantou sua Revolução
Industrial. Até meados do século XIX, o Japão vivia fechado, com sua
sociedade dominada por uma aristocracia feudal que explorava a massa de
camponeses. Desde 1192, o imperador tinha poder simbólico; quem o
exercia era o Shogum, supremo comandante militar. A economia monetária
vinha se acentuando desde o século XVIII e á pressão dos Estados Unidos
forçou em 1852 a abertura dos portos aos estrangeiros, atendendo a
interesses de expansão dá indústria americana. O ponto de partida para
ás grandes transformações foi o ano de 1868, com a Revolução Meiji
(Luzes). Com apoio estrangeiro, o imperador tomou o poder do Shogum e
passou á incorporar á tecnologia ocidental, para modernizar o Japão.
A
Revolução Meiji aboliu o feudalismo, com finalidade nem tanto de
melhorar a vida servil dos camponeses más de torná-los mais produtivos.
A fortuna dos grandes comerciantes e proprietários aumentou, em
prejuízo dos aposentados e pequenos lavradores. A criação de um
exército de trabalhadores, devido ao crescimento populacional, permitiu
uma política de preços baixos, o dumping, favorável à competição no
mercado externo.
Um
aspecto importante foi a acumulação de capital nacional, decorrente dá
forte atuação do Estado, que concedeu patentes e exclusividades e
integrou os investimentos. Depois de desenvolver as indústrias, o
Estado as transferia a particulares em condições vantajosas de
pagamento. Formaram-se assim grandes concentrações industriais,
zaibatsu, pois 40% de todos os depósitos bancários, 60% da indústria
têxtil, 60% da indústria militar, a maior parte da energia elétrica, a
indústria de papel e a de construção naval eram controlados por apenas
quatro famílias: Sumitomo, Mitsubishi, Yasuda e Mitsui. A indústria
pesada avançou devagar pela falta de carvão e ferro. Os recursos
hidrelétricos foram explorados a partir de 1891. No início do século
XX, a siderurgia deu um salto, criando a base para a expansão da
indústria naval.
O
Estado, assentado na burguesia mercantil e na classe dos proprietários,
tinha apoio dos militares, que pretendiam construir o Grande Japão. O
pequeno mercado interno impôs a busca de mercados externos e uma
política agressiva, iniciada com a guerra contra a China (1894-1895),
que proporcionou enorme indenização ao Japão. O mesmo aconteceu após a
guerra contra a Rússia (1904-1905). A I Guerra Mundial (1914-1918)
abriu espaços no mercado asiático, imediatamente ocupados pelo Japão.
Mudanças na estrutura industrial
As
mudanças na estrutura da produção industrial foram tão aceleradas a
partir de 1870, que se pode falar de uma Segunda Revolução Industrial.
E a época em que se usam novas formas de energia: eletricidade,
petróleo; de grandes inventos: motor a explosão, telégrafo, corantes
sintéticos; e de intensa concentração industrial. A grande diferença em
relação à primeira fase da Revolução Industrial era o estreito
relacionamento entre ciência e técnica, entre laboratório e fábrica. A
aplicação da ciência se impunha pela necessidade de reduzir custos, com
vistas à produção em massa. O capitalismo de concorrência foi o grande
propulsor dos avanços técnicos.
Novas
fontes de energia foram substituindo o vapor. Já se conhecia a
eletricidade por experiências em laboratório: Volta, em 1800 e Faraday,
em 1831. O uso industrial dependia da redução do custo e, acima de
tudo, da transmissão a distância. O invento da lâmpada incandescente
por Edison em 1879 provocou uma revolução no sistema de iluminação.
Já
se usava o petróleo em iluminação desde 1853. Em 1859, Rockefeller
havia instalado a primeira refinaria em Cleveland. Com a invenção do
motor de combustão interna pelo alemão Daimler em 1883, ampliou-se o
uso do petróleo. A primeira fase da Revolução Industrial tinha se
concentrado na produção de bens de consumo, especialmente têxteis de
algodão; na segunda fase, tudo passou a girar em torno da indústria
pesada. A produção de aço estimulou a corrida armamentista, aumentando
a tensão militar e política. Novas invenções permitiram aproveitar
minerais mais pobres em ferro e ricos em fósforo. A produção de aço
superou a de ferro e seu preço baixou. O descobrimento dos processos
eletrolíticos estimulou a produção de alumínio.
Na
indústria química, houve grande avanço com a obtenção de métodos mais
baratos para produzir soda cáustica e ácido sulfúrico, importantes para
vulcanizar a borracha e fabricar papel e explosivos. Os corantes
sintéticos, a partir do carvão, tiveram impacto sobre a indústria
têxtil e reduziram bastante a produção de corantes naturais, como o
anil.
O
desenvolvimento dos meios de transporte representou uma revolução à
parte. A maioria dos países que se industrializavam elegeu as ferrovias
como o maior investimento. Elas empregavam 2 milhões de pessoas em
todo o mundo em 1860. No final dessa década, somente os Estados Unidos
tinham 93 000 quilômetros de trilhos; a Europa, 104 000, cabendo 22 000
à Inglaterra, 20 000 à Alemanha e 18 000 à França. A construção exigiu
a mobilização de capitais, através de bancos e companhias por ações, e
teve efeito multiplicador, pois aqueceu a produção de ferro, cimento,
dormentes, locomotivas, vagões. O barateamento do transporte facilitou
a ida dos trabalhadores para as vilas e cidades. Contribuiu, assim,
para a urbanização e o êxodo rural. As nações aumentaram seu poderio
militar, pois podiam deslocar mais depressa suas tropas. Ninguém
poderia imaginar tal mudança quando Stephenson construiu a primeira
linha em 1825, de Stockton a Darlington, na Inglaterra.
Depois
que Fulton inventou o barco a vapor em 1808, também a navegação
marítima se transformou. As ligações transoceânicas ganharam impulso
em 1838, com a invenção da hélice. Os clíperes, movidos a vela,
perderam lugar para os novos barcos, que cruzavam o Atlântico na linha
Europa - Estados Unidos em apenas dezessete dias.
A Grande Depressão
A
primeira grande crise do capitalismo, a Grande Depressão, começou por
volta de 1873 e só terminou em 1896. O ciclo da crise é marcado pelas
seguintes fases:
_
expansão: aumenta a produção, diminui o desemprego, crescem salários e
lucros, ampliamse as instalações e os empresários têm atitude otimista;
_
recessão: a empresa não usa toda a sua capacidade produtiva, o que
aumenta os custos e provoca a alta da taxa de juros; os empresários
temem investir em excesso;
_
contração: caem os investimentos, os empregados da indústria de bens de
capital (indústria pesada) são demitidos, diminui o poder aquisitivo da
população, os bancos reduzem os empréstimos, os empresários tomam todo
cuidado com o custo da produção, têm postura pessimista;
_
revitalização: os preços baixam demais, estimulando alguns a comprar;
os estoques se esgotam logo; os preços tendem a subir; os industriais
recuperam a confiança e retomam o investimento em instalações.
A
crise de 1873 - 1896 tem explicação estrutural. A organização dos
trabalhadores, isto é, o aparecimento dos sindicatos nacionais,
resultou em aumento real de salários entre 1860 e 1874. Por isso, os
empresários preferiram investir em tecnologia, para aumentar a
produção com menos trabalhadores. De um lado, produção e lucros se
mantiveram; de outro, declinou a massa global de salários pagos,
determinando a recessão do mercado consumidor. Os capitais disponíveis
não poderiam ser investidos na Europa, pois a produção aumentaria e os
preços cairiam. Teriam de ser aplicados fora, através de empréstimos
com juros elevados ou na construção de ferrovias.
A
crise eliminou as empresas mais fracas. As fortes tiveram de
racionalizar a produção: o capitalismo entrou em nova fase, a fase
monopolista. Sua característica é o imperialismo, cujo desdobramento
mais visível foi a expansão colonialista do século XIX, assunto do
próximo capítulo. O imperialismo, por sua vez, caracteriza-se por:
_ forte concentração dos capitais, criando os monopólios;
_ fusão do capital bancário com o capital industrial;
_ exportação de capitais, que supera a exportação de mercadorias;
_ surgimento de monopólios internacionais que partilham o mundo entre si.
Formas de monopólio nesta etapa do capitalismo:
Truste
- Um grupo econômico domina várias unidades produtivas; nos trustes
horizontais, reúnem-se vários tipos de empresa que fabricam o mesmo
produto; nos verticais, uma empresa domina unidades produtivas
estratégicas por exemplo, da mineração do ferro e carvão à fabricação
de locomotivas, passando pela siderurgia;
Cartel - Empresas poderosas, conservando sua autonomia, combinam repartir o mercado e ditam os preços dos produtos que fabricam;
Holding - Uma empresa central, geralmente uma financeira, detém o controle das ações de várias outras empresas.
Imperialismo; o novo colonialismo partilha África e Ásia
A
colonização portuguesa e espanhola do século XVI havia se limitado à
América. Com raras exceções, as terras africanas e asiáticas não foram
ocupadas. Ali, os europeus limitaram-se ao comércio, principalmente o
de especiarias. Por isso, no século XIX, havia grandes extensões de
terras desconhecidas nos dois continentes, que Portugal e Espanha não
tinham condições de explorar. Começou então nova corrida colonial de
outras potências européias, sobretudo as que haviam passado por uma
transformação industrial, como Inglaterra, Bélgica, França, Alemanha e
Itália.
Os motivos do neocolonialismo
No
século XVI, o objetivo colonialista era encontrar metais preciosos e
mercados abastecedores de produtos tropicais e consumidores de
manufaturas européias. O interesse concentrou-se na América.
São
mais complexos os fatores que explicam o renascimento colonialista do
século XIX: claro que havia, sobretudo, interesses econômicos; mas a
eles se juntaram outros, sociais, políticos e até religiosos e
culturais.
Nessa
época, vários países europeus passavam pela Revolução Industrial.
Precisavam encontrar fontes de matéria-prima (carvão, ferro, petróleo)
e de produtos alimentícios que faltavam em suas terras. Também
precisavam de mercados consumidores para seus excedentes industriais,
além de novas regiões para investir os capitais disponíveis construindo
ferrovias ou explorando minas, por exemplo.
Tal
mecanismo era indispensável para aliviar a Europa dos capitais
excedentes. Se eles fossem investidos na Europa, agravariam a Grande
Depressão e intensificariam a tendência dos países europeus
industrializados de adotar medidas protecionistas, fechando seus
mercados e tornando a situação ainda mais difícil. Some-se a tudo isso
o crescimento acelerado da população européia, necessitada de novas
terras para estabelecer-se. No plano político, cada Estado europeu
estava preocupado em aumentar seus contingentes militares, para
fortalecer sua posição entre as demais potências. Possuindo colônias,
disporiam de mais recursos e mais homens para seus exércitos. Tal era a
política de prestígio, característica da França, que buscava compensar
as perdas na Europa, especialmente a Alsácia-Lorena, para os alemães.
Ter colônias significava ter portos de escala e abastecimento de carvão
para os navios mercantes e militares distribuídos pelo planeta.
Já
os missionários se encaixavam nos fatores religiosos e culturais. Eles
desejavam converter africanos e asiáticos. Havia gente que considerava
mesmo dever dos europeus difundir sua civilização entre povos que
julgavam primitivos e atrasados. Tratava-se mais de pretexto para
justificar a colonização. Uma meta dos evangelizadores era o combate à
escravidão. Dentre eles, destacaram-se Robert Moffat e Livingstone.
Suas ações, em suma, resultaram na preparação do terreno para o avanço
do imperialismo no mundo afro-asiático.
Também
teve importância o movimento intelectual e científico. As associações
geográficas chegaram a reunir 30 000 sócios, 9 000 somente na França.
Famosos exploradores abriram caminho da mesma forma que os
missionários: Savorgnan de Brazza, Morton, Stanley, Karl Petersoon,
Nachtigal. É importante notar o desenvolvimento de ideologias racistas
que, partindo das teorias de Darwin, afirmavam a superioridade da raça
branca.
A partilha da África
Em
1830, a França invadiu a África e iniciou a conquista da Argélia,
completada em 1857. Dez anos mais tarde, Leopoldo II da Bélgica deu
novo impulso ao colonialismo ao reunirem Bruxelas, a capital, um
congresso de presidentes de sociedades geográficas, para difundir a
civilização ocidental dizia o rei; mas os interesses eram econômicos.
Dali resultaram a Associação Internacional Africana e o Grupo de
Estudos do Alto Congo, que iniciaram a exploração e a conquista do
Congo. Leopoldo era um dos principais contribuintes das entidades,
financiadas por capitais particulares.
Outros
países europeus se lançaram à aventura africana. A França, depois da
Argélia, rapidamente conquistou Tunísia, África Ocidental Francesa,
África Equatorial Francesa, Costa Francesa dos Somalis e Madagascar. A
Inglaterra dominou Egito, Sudão Anglo-Egípcio, África Oriental Inglesa,
Rodésia, União Sul-Africana, Nigéria, Costa do Ouro e Serra Leoa. A
Alemanha tomou Camarões, Sudoeste Africano e África Oriental Alemã. A
Itália conquistou Eritréia, Somália Italiana e o litoral da Líbia.
Porções reduzidas couberam aos antigos colonizadores: a Espanha ficou
com Marrocos Espanhol, Rio de Ouro e Guiné Espanhola; Portugal, com
Moçambique, Angola e Guiné Portuguesa.
O
ponto de partida para a corrida foi a Conferência de Berlim (1884 -
1885), proposta por Bismarck e Jules Ferry. Seu objetivo principal foi
legalizar a posse do Congo por Leopoldo II.
A Europa ocupa tudo
Os
investimentos em ferrovias abriram o mercado asiático para os produtos
ocidentais e, no século XIX, finalmente os países do Ocidente passaram
do simples comércio praticado nos portos à política de zonas de
influência. Promoveram então uma verdadeira partilha do Oriente.
A
Rússia era o país mais interessado em expandir-se para o oriente.
Depois da ferrovia Moscou-Vladivostok, ela se chocou com a Inglaterra
na Ásia Central e com o Japão na Manchúria.
Em
1763, os ingleses haviam tomado a Índia aos franceses e encarregado uma
companhia de explorá-la. Em 1858, revoltaram-se os cipaios, nativos que
serviam nos exércitos coloniais. A Índia foi então integrada ao Império
Britânico. Na China, a Guerra do Ópio (1840-42) permitiu a conquista de
Hong-Kong, Xangai e Nanquim. Uma associação secreta, a Sociedade dos
Boxers, reagiu à invasão, promovendo atentados contra os estrangeiros;
tinha apoio do governo chinês. As potências européias organizaram uma
expedição conjunta, o que provocou a Guerra dos Boxers. Depois dela, as
potências ocidentais dominaram a China inteira.
Os
japoneses ocuparam a Coréia; os alemães, a Península de Shantung; os
franceses, a Indochina. Os Estados Unidos estabeleceram um protetorado
no Havaí e ocuparam Pearl Harbour. Em 1898, anexaram Havaí, Guam, Ilhas
Marianas e Filipinas. Na América, ocuparam Porto Rico e, após guerra
contra a Espanha, estabeleceram um protetorado em Cuba.
Em
1914, 60% das terras e 65 % da população do mundo dependiam da Europa.
Suas potências tinham anexado 90% da África, 99% da Oceania e 56% da
Ásia.
A administração neocolonialista
Nas áreas de dominação francesa, havia dois tipos básicos de ligação com a metrópole:
1.
Colônia, ficava sob supervisão direta do Ministério das Colônias, com
administração de um governador-geral, responsável por toda a atividade
colonial;
2. Protetorado, bastante autônomo, administrado por gente da região, com supervisão de um representante da metrópole.
Entre os ingleses, havia mais variedade administrativa:
1. Colônia da Coroa, dependia diretamente do Escritório Colonial da metrópole;
2. Colônia, com certo grau de autonomia, tinha Parlamento eleito;
3. Domínio, praticamente independente, exceto no tocante às relações estrangeiras e à defesa.
A administração colonial dos outros países era semelhante à dos franceses e ingleses.
Política de espoliação
Foram
os ingleses que organizaram melhor o sistema de exploração colonial. A
extensão do império lhes proporcionou extraordinária variedade de
recursos, humanos e materiais. A política econômica liberal, que
vigorou na Inglaterra a partir de 1850, estendeu-se às colônias.
Já
a política francesa tarifária (de aumento dos impostos) variava de
acordo com a colônia e com o tipo de produtos que ela gerava e consumia.
A
ocupação das colônias criou sérios problemas administrativos, pois os
colonos vindos da metrópole queriam terras, o que só seria possível se
eles as tomassem dos habitantes do país. Foi o que fizeram. Os europeus
confiscaram as terras diretamente ou usaram regiões em disponibilidade
ou, ainda, forçaram tribos nômades a fixar-se em territórios
específicos. Para encorajar a colonização, a metrópole concedeu a
exploração das terras a particulares ou a grandes companhias que
tivessem condições de realizar grandes empreendimentos, de rendimento
elevado.
Para
evitar toda concorrência, a metrópole só permitia indústria extrativa,
mineral e vegetal. Mesmo assim, a indústria colonial progrediu,
impulsionada pela abundância de matéria-prima e mão-de-obra.
A
colonização, na medida em que representou a ocidentalização do mundo,
destruiu estruturas tradicionais, que muitas vezes não se recompuseram,
e nada construiu em seu lugar. Na Índia, o artesanato desapareceu. No
Congo, os belgas obrigaram as populações nativas a executar trabalhos
forçados e a pagar impostos. Na Argélia, a fim de liberar mão-de-obra,
os franceses destruíram a propriedade coletiva do solo e o trabalho
comunitário, o que levou muitas pessoas à fome e à indigência.
Imperialismo: a supremacia inglesa na Era Vitoriana
A
indiscutível supremacia da Inglaterra -na Europa do século XIX atingiu
seu apogeu entre -1850 e 1875. O país, que havia iniciado sua Revolução
Industrial mais de cem anos antes, colocou-se quase um século na frente
dos demais Estados europeus. Somente na segunda metade do século XIX
foi que França, Itália e Alemanha começaram a avançar, mas não o
suficiente para abalar a hegemonia inglesa.
A
Inglaterra enviava homens, capitais, carvão, tecidos e máquinas para o
mundo inteiro. A supremacia naval completava a supremacia econômica. As
camadas médias prosperavam, e seu papel político ganhava importância.
Londres era a maior cidade do mundo, e o Parlamentarismo, um regime
político estável, maleável para que as reformas se antecipassem às
necessidades sociais. Assim, a Inglaterra evitou as agitações que
assolaram a Europa dos fins do século XVIII ao século XIX.
A
união de desenvolvimento econômico com progresso social e estabilidade
política criou condições para a formação de um vasto império colonial
na América, África e Ásia.
A
dinastia Hannover, surgida no início do século XVIII, teve na rainha
Vitória (1837-1901) o grande símbolo da virtude e da perseverança
inglesas. Ela governou o país durante o período de supremacia
britânica, por isso mesmo chamado de Era Vitoriana.
Evolução econômica
Depois
de 1815, quando terminaram as guerras com a França, a agricultura
inglesa entrou em crise. A paz trouxe a queda de preços dos cereais; os
pequenos proprietários tiveram de vender suas terras. A concentração de
propriedades deu origem a uma agricultura intensiva, dotada de moderna
tecnologia. Os grandes proprietários, controlando o poder político,
fizeram aprovar leis para impedir a importação e manter altos os preços
no país: as Leis dos Cereais (Corn Laws).
O
crescimento da indústria e da importância dos industriais mudou tal
situação. Com cereais caros; eles tinham de pagar salários mais altos,
o que diminuía seus lucros. Portanto, defendiam a livre importação de
cereais. A campanha pela extinção das Corn Laws começou por iniciativa
de Cobden, industrial que pregava o livrecambismo, ou liberdade de
troca, como forma de baratear os alimentos e matérias-primas
industriais, bem como de abrir mercados para os produtos
industrializados ingleses. Entre 1848 e 1852, todas as leis restritivas
foram abolidas, inclusive os Atos de Navegação, baixados no século XVII.
A
Inglaterra consolidou então sua hegemonia comercial em todo o mundo.
Controlava 80% da construção de navios de ferro. Sua frota mercante
representava 60% da tonelagem mundial. Somados, o comércio francês e o
alemão representavam menos de 80% do comércio inglês, em 1870. A
Inglaterra comprava alimentos e matérias-primas e exportava para todos
os continentes produtos industrializados e capitais.
A
concentração industrial do norte e oeste, perto das bacias carboníferas
e dos grandes portos, fez nascer a lnglaterra Negra em oposição à
Inglaterra Verde do sul e sudoeste; dominada pela agropecuária. Em
1870, o país produzia dois terços do carvão mundial. A indústria
metalúrgica concentrava-se em Birmingham e Sheffield. A expansão estava
ligada ao desenvolvimento da indústria ferroviária e a novos métodos de
obtenção de aço.
A
partir de 1890, começaram a surgir grandes concentrações industriais,
como forma de conter a concorrência: reuniam siderúrgicas, empresas de
mineração e de construção naval. Londres era o primeiro mercado mundial
de lã; Leeds e Bradford processavam a matéria-prima importada. Cresceu
a indústria têxtil do algodão. Seu centro era Manchester, que recebia
fibra da América e exportava tecido, sobretudo para o Extremo Oriente.
Em 1850, essa exportação representava metade da exportação inglesa
global.
A
abundância de carvão impediu o desenvolvimento hidrelétrico. A química
também estava em atraso, porque a Inglaterra recebia da Alemanha quase
todo o corante de que precisava.
Problemas sociais
Um
traço marcante foi o acelerado crescimento demográfica. Havia 11
milhões de ingleses no início do século XIX; em 1870, eles eram 26
milhões, graças à queda da mortalidade, conseqüência do progresso da
medicina e da melhoria de condições de higiene, junto com o aumento da
natalidade. O êxodo rural superlotou as cidades, que em 1870
concentravam 70% da população. Londres tinha mais de 3 milhões de
habitantes.
Surgiram
problemas. O excesso de mão-de-obra comprimiu os salários. Os
trabalhadores viviam em subúrbios miseráveis. Cresceu a tensão social,
e as leis se tornaram mais severas. A classe trabalhadora reagiu de
diferentes formas. Primeiro, houve tentativas de greves gerais, que
falharam porque os operários não tinham condições de sustentar-se
durante as paralisações. Os sindicatos trataram de constituir-se como
organizações defensoras dos interesses de classe.
Entre
1870 e 1880, os sindicatos conseguiram para os operários igualdade
perante a lei, direito de greve, regulamentação do horário de trabalho
e a responsabilidade patronal em caso de acidente de trabalho. Outra
solução para a questão social foi a emigração. A Inglaterra tornou-se o
grande celeiro de emigrantes do século XIX.
No
topo da sociedade, continuava a dominar a aristocracia fundiária, uma
classe fechada mas receptiva à chegada dos ricos burgueses, industriais
ou comerciais. Desta fusão, resultava uma elite poderosa, diferenciada
do ponto de vista econômico, não do nascimento.
Trajetória política
A
partir de 1850, conservadores e liberais se alternaram no poder. Depois
do governo do liberal Palmerston, preocupado com questões externas, os
dois grandes líderes políticos foram: Gladstone, liberal, pacifista,
religioso, e Disraeli, conservador, defensor da monarquia democrática e
da expansão do império.
Em 1867, Disraeli adotou uma lei eleitoral que beneficiou a Inglaterra industrial, ou seja, os setores novos da sociedade.
A questão da Irlanda
Dominada
pela Inglaterra fazia séculos, a Irlanda jamais se havia deixado
subjugar completamente. De língua céltica e religião católica (exceto
no Ulster, ao nordeste), opunha-se aos ingleses que exploravam seus
pequenos proprietários e lhes tomavam as terras, em caso de atraso no
pagamento de tributos. A situação se agravou na Grande Fome (1846-47),
quando a Irlanda perdeu 3 milhões de habitantes, mortos ou emigrados.
Um grupo de tendências radicais dominou então o país.
Pela
Associação Católica, O'Connel foi eleito em 1829 para o Parlamento,
como representante da Irlanda. Com apoio de Gladstone, ele defendeu um
governo autônomo para a Irlanda, sem resultado. Sobrevieram atentados,
que o governo britânico reprimiu duramente. A sociedade secreta dos
Fenianos, com apoio de emigrados nos Estados Unidos, tentou sublevar o
país em 1867. A questão continuaria pelo século XX afora, mesmo depois
que a Irlanda conseguiu independência parcial.
O Império Britânico
Os
ingleses se expandiram por meios pacíficos ou belicosos. No início do
século XX, o Império Britânico tinha 400 milhões de habitantes, em 35
milhões de km2 de terras na América, Ásia, Oceania e África.
Tornou-se
importante controlar os mares. Superior a qualquer outra marinha
européia, a inglesa dominava posições estratégicas no Mediterrâneo,
Atlântico, Índico, no sul da África e nas rotas Índia-China e
Mediterrâneo-Índia.
Depois
de 1815, os ingleses se haviam apossado da Índia, Egito, Sudão,
Nigéria, quase todo o sul africano; conquistaram e colonizaram a
Austrália e a Nova Zelândia; impuseram sua tutela à Birmânia,
Beluchistão, Mesopotâmia e Palestina.
Os domínios
As
formas de ocupação variavam, mas havia essencialmente dois tipos de
colônia: as de comércio, nos trópicos; e as de povoamento, nas regiões
temperadas. Os traços mais gerais do colonialismo inglês foram:
_ liberalismo econômico, em substituição ao monopólio;
_ a abolição do tráfico de escravos, em 1807; _ a abolição da escravidão, em 1833;
_ a autonomia considerável nas colônias em que predominava a população branca, como no Canadá.
As
unidades autônomas eram chamadas domínios. Entre eles e a metrópole as
relações acabaram sendo de igual para igual, pois, com o tempo, o
Império se transformaria em federação de Estados livres, ligados apenas
por interesses econômicos: a Commonwealth, ou Comunidade das Nações.
Nas
colônias de exploração comercial, o regime variava. Algumas eram
administradas diretamente pelo Estado inglês e outras, confiadas a
companhias que detinham algum monopólio.
A
Índia é um exemplo característico da colonização britânica. A conquista
deu-se entre 1798 e 1849. Os ingleses respeitaram os costumes locais e
construíram ferrovias. Em 1857, com a revolta dos cipaios, os soldados
indígenas, seguiram-se dezoito meses de combates e represálias
sangrentos. Para evitar novos problemas, a Inglaterra reorganizou o
país. A Companhia das Índias perdeu seus privilégios. E funcionários
designados pelo governo britânico passaram a administrar a Índia.

Até a próxima!